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Tatuagens de henna parecem inofensivas mas são consideradas um mal à saúde


ublicado em 31.08.2012

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As marcas deixadas pela alergia podem durar anos Fotos: Internet
Por Marília Banholzer
Do NE10

Tatuagens provisórias, coloração para os cabelos e cosméticos. Esses são os usos mais comuns da henna, produto proveniente da casca e das folhas secas de uma planta chamada Lawsonia inermis. Mesmo de origem vegetal, a substância tem trazido problemas aos consultórios dermatológicos que cada vez mais recebem pacientes com sintomas de dermatite de contato, alergias causadas quando a pele entra em contato com algo nocivo à saúde.


Segundo os dermatologistas, a enfermidade é resultado da banalização do uso da henna que, quando acrescida de substâncias químicas, pode se tornar extremamente prejudicial. A parafenilenodiamina é um dos aditivos químicos mais misturados à henna. A substância é um corante que garante ao produto de origem natural a cor negra e uma maior resistência à água. 

Originalmente, a mistura de henna com parafenilenodiamina era usada apenas em tinturas de cabelo, na qual a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permite a presença de apenas 6% da substância química na fórmula. O problema, de acordo com os dermatologistas, é que já foram encontradas misturas com até 20% dessa substância altamente alérgica. Esse aditivo é amplamente explorado no caso das tintas usadas nas tatuagens provisórias.

Por causa disso, o dermatologista e presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional Pernambuco, Sérgio Palma, atribui às tatuagens provisórias feitas com a henna a principal causa das alergias de contato. “Tatuagem está na moda e muitos pais permitem que seus filhos façam desenhos no corpo com a henna por ela ter um caráter temporário (até uma semana)”, pontua o médico que também se mostrou preocupado com a o alto número de crianças afetadas pela má qualidade da tinta oferecida pelos tatuadores.



As imagens mostram as marcas deixadas pela dermatite de contato decorrentes da tinta usada nas tatuagens de henna
Foto: Ilustração NE10


Quem já se tatuou com henna e não teve reações alérgicas não deve pensar que está livre de sofrer com a alergia que ela pode causar. De acordo com o médico Sérgio Palma, é muito comum que o corpo do indivíduo rejeite a aplicação apenas na segunda ou terceira aplicação. “As reações começam com uma leve coceira, inicialmente com a pele avermelhada e, em seguida, com o aparecimento de bolhas”, detalha o dermatologista. De acordo com o especialista, o tratamento conta com a ingestão de medicamento oral e aplicação de pomada à base de corticóide.

“Esse tema pode parecer superficial, mas a verdade é que o uso banalizado das misturas com henna é amplamente debatido em encontros de dermatologia. Tudo isso porque a henna parece inofensiva, mas, na verdade, é um grande problema de saúde pública”, ressalta o médico.

Quem sofreu na pele as consequências de uma dermatite de contato decorrente de uma tatugem de henna foi o cobrador de ônibus Gleison Emanuel dos Santos, de 28 anos. Há cerca de três anos mandou fazer um desenho no antebraço e percebeu uma leve reação alérgica. Mesmo com a irritação da pele, Gleidson mandou retocar a tatuagem temporária e acabou sofrendo as consequências. “Foram crescendo bolhas que quando estouravam saía uma água, como se fossem um calo. Passei uma pomada indicada para queimaduras e melhorou, mas até hoje eu tenho a marca”, lembra Gleidson.

O motorista garante que já havia feito outras tatuagens temporárias antes de sofrer a alergia. Ele não sabe o que causou a reação alérgica, mas acredita que tenha sido a má qualidade da tinta usada no desenho. “Eu sempre fazia em Olinda, mas uma dia eu estava em Boa Viagem e pedi para um tatuador que não conhecia fazer o desenho. Acho que a alergia foi por causa da tinta que ele usou em mim”, opina. 

No centro das críticas e desconfianças por parte dos médicos estão os tatuadores que percorrem as areias das praias mais movimentadas da Região Metropolitana do Recife (RMR). Bairro Novo, em Olinda; Boa Viagem, no Recife; e Porto de Galinhas, em Ipojuca, são algumas das praias mais visitadas pelos tatuadores de henna.

No ramo há sete anos, Josivan Alves da Silva, 25, é mais conhecido como Van. Ele trabalha de sexta a segunda, sempre das 10h às 16h, oferecendo seus desenhos na praia de Bairro Novo, em Olinda. Van é tão conhecido na área que tem até cliente fixo. O tatuador reconhece que algumas pessoas podem desenvolver alergia, mas coloca a culpa em profissionais que fazem misturas irregulares nas tintas usadas nas tatuagens provisórias.


Há sete anos no ramo de tatuagens, Van diz tomar muito cuidado com a tinta usada nos clientes
Foto: Marília Banholzer/NE10


“O certo é a gente comprar a henna em pó nas casas que vendem material de tatuagem, tanto as temporárias quanto às definitivas. Depois, quando for usar, a gente só precisa misturar com água. O problema é que tem gente que coloca alguns produtos químicos. Eu sei de gente que até chumbinho usa”, explica Van. O jovem tatuador disse ainda que preza por manter a sua tinta sempre dentro de um padrão que garanta a saúde do cliente, já que Van se vangloria de ter clientes fixos que lhe rendem um apurado de cerca de R$ 500 por fim de semana.

Uma das clientes de Van é a dona de casa Sheila Cristina Batista, 36. Ela tatua o tornozelo toda semana, há três anos. “Tenho tentado tomar coragem para fazer uma tatoo definitiva. Esses desenhos de henna ajudam a me acostumar com a ideia”, brincou. Sheila disse que conhece casos de pessoas que tiveram problemas com a henna, mas que nunca foi o seu caso.



Sheila Cristina faz tatuagens de henna há três anos, mas nunca teve problemas
Foto: Marília Banholzer/NE10


Já a manicure Ericka Arantes Leal, 25, arriscou a tatuagem de henna pela primeira vez nesta sexta-feira (31). A jovem optou por desenhar as iniciais do amado acompanhadas com uma borboleta. O tatuador Van foi o responsável pela tatuagem provisória nas costas da moça. “Gosto de tatuagens, mas nunca fiz uma definitiva porque minha mãe não gosta. Acho até que ela vai virar a cara quando ver essa aqui de henna”, conta Ericka.

Ericka nunca havia feito tatuagem de henna e disse desconhecer os possíves males à saúde
Foto: Marília Banholzer/NE10 


Em meio à discussão sobre o uso saudável da henna em produtos de beleza e tatuagens provisórias, a Agência pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) adverte que não existe uma legislação que proíba o uso dessas tintas. De acordo com o gerente-geral da Apevisa, Jaime Brito, o que pode ser feito pelo órgão é a fiscalização da porção de aditivos químicos aos produtos utilizados/comercializados por estabelecimentos formais, o que não é o caso dos tatuadores de praia. “Alertamos apenas que esse tipo de alergia a componentes químicos é extremamente perigosa, um problema de saúde pública. Quem apresentar algum problema pode e deve denunciar na Apevisa”, ressalta.

SERVIÇO:

Sociedade Brasileira de Dermatologia - Regional Pernambuco: www.sbd-pe.org.br;
Apevisa: www.apevisa.saude.pe.gov.br;
Van Tatoo - Bonsucesso, Olinda
Contato: (81) 8645.4255.


Fonte e créditos desta reportagem:
http://ne10.uol.com.br/canal/cotidiano/saude/noticia/2012/08/31/tatuagens-de-henna-parecem-inofensivas-mas-sao-consideradas-um-mal-a-saude-365193.php  

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